Foliculite

Foliculite, sintomas e tratamentos

A foliculite é uma doença de pele que afeta os folículos pilosos (estruturas da pele onde os pelos surgem e crescem), provocando a sua inflamação. Pode ocorrer em várias partes do corpo, surgindo com mais frequência nas regiões com maior pilosidade, como o couro cabeludo, barba, axilas, coxas, nádegas e virilha.

A foliculite é comum e geralmente causada por uma bactéria ou fungo que causa a inflamação nos folículos e manifesta-se através de pápulas inflamatórias (borbulhas vermelhas) e pústulas (espinhas com pus). A maioria dos casos é simples e com evolução favorável, mas a doença pode vir a causar complicações graves e que necessitam de tratamento adequado.

Qualquer pessoa pode ter foliculite em algum momento da vida. Entretanto, pessoas negras, asiáticas, obesas ou com baixa imunidade estão mais sujeitas a desenvolver a doença. E o que causa a foliculite? Confira a seguir.

Principais causas da foliculite

A foliculite pode ser desencadeada por alguns fatores, tais como:

  • Roupa muito justa
  • Ação de barbear
  • Depilação a cera
  • Pelos encravados
  • Aplicação tópica de corticoides
  • Alguns comprimidos, como corticoides, antibióticos ou tratamento para o cancro
  • Imunossupressão
  • Jacuzzis ou piscinas com níveis de cloro e de pH desregulados
  • Feridas ou cortes
  • Obesidade
  • Hiperidrose (suor excessivo)

Vejamos agora quais são os principais sintomas para que consiga perceber se está com a doença.

Sintomas da foliculite

Para saber os sintomas é preciso antes entender os tipos de foliculite. A doença pode ser classificada como superficial ou profunda, a depender da gravidade do caso, e dessas duas classificações há diferentes tipos.

Na superficial, a foliculite envolve apenas a parte superior do folículo piloso, a pele em volta fica avermelhada e sensível e podem aparecer pequenas pústulas semelhantes a espinhas com líquido amarelado de, no máximo, 1 cm de diâmetro. Quase sempre é possível enxergar o pelo no centro da lesão, que coça bastante.

A foliculite superficial pode apresentar-se sob as seguintes formas:

  • Foliculite estafilocócica – é causada pelo Staphilococcus aureus, bactéria gram-positiva que pode formar colônias na pele das pessoas. Essa bactéria só atua quando um ferimento funciona como porta aberta para que ela possa penetrar no organismo e infectar o folículo piloso, dando origem a pequenos nódulos vermelhos com um ponto branco no centro em volta de um ou mais folículos pilosos, que coçam e doem.
  • Foliculite por pseudomonas – chamada também de foliculite da banheira, é transmitida por pseudomonas, bactérias que sobrevivem em diversos ambientes, sobretudo banheiras de hidromassagem e piscinas aquecidas em que os níveis de cloro e o pH estiverem mal regulados. Nesse caso, a erupção cutânea é formada por pequenas lesões cheias de pus, que coçam bastante e podem acometer áreas extensas do corpo.
  • Pseudofoliculite da barba- inflamação causada por pelos encravados. É mais comum em homens negros adultos, especialmente no rosto e no pescoço. Mulheres que fazem depilação com cera quente também estão propícias a desenvolver essa reação inflamatória na região das axilas e da virilha.
  • Foliculite pitirospórica – infecção pelo fungo Pytirosporum ovalle que tem preferência pelas regiões úmidas do corpo. As lesões têm a forma de papulopústulas, que surgem principalmente nas costas, peito e braços de adolescentes e homens adultos.

Na foliculite profunda, a inflamação abrange todo o folículo piloso e alcança a raiz. No local, surge a lesão típica da doença: extensa área avermelhada que tem no centro um nódulo endurecido com pus. Coceira, dor, inchaço e tumefação local são sintomas comuns nesses casos. Trata-se de uma infecção mais grave, que pode destruir o folículo piloso e deixar cicatrizes.

Os tipos de foliculite profunda são:

  • Foliculite ou sicose da barba – também aqui o agente transmissor é a bactéria Staphilococcus aureus. As lesões aparecem na região da barba dos homens adultos. Têm a forma de pápulas ou pústulas com um pelo no centro, ou de crostas que podem juntar-se para compor placas avermelhadas. A repetição do ato de barbear-se pode tornar a infecção mais grave e deixar cicatrizes.
  • Foliculite gram-negativa – afeta no geral pessoas que recebem antibióticos orais por longos períodos para tratamento da acne, uma vez que o uso constante desses medicamentos altera a flora bacteriana do nariz e promove o aparecimento de bactérias gram-negativas que se espalham pela pele do rosto.
  • Furúnculos e carbúnculos – são lesões que têm como causa a infecção profunda do folículo piloso pelo Staphilococcus aureus. O furúnculo é um abscesso, ou seja, um nódulo vermelho e duro com pus no centro. Essa secreção é formada pelo acúmulo de células mortas, bactérias e leucócitos em processo de degeneração. O furúnculo afeta um único folículo piloso e pode aparecer nas nádegas, pescoço, axilas e virilha. Em grande parte dos casos, depois de alguns dias, ocorre a drenagem espontânea da secreção purulenta. O carbúnculo atinge um grupo de folículos pilosos próximos, formando um aglomerado de furúnculos. Em geral, aparece na parte de trás do pescoço, ombros, quadris e coxas. Idosos e portadores de diabetes estão mais propensos a desenvolver esses quadros infecciosos.
  • Foliculite eosinofílica – a causa ainda é desconhecida, embora seja considerada a possibilidade de estar associada à infecção pelo fungo Pytirosporum. O que se sabe é que a doença se manifesta especialmente nos portadores de HIV/Aids e em pessoas com baixa imunidade. As lesões, parecidas com espinhas comuns, aparecem principalmente no rosto, coçam muito e deixam manchas escuras no local.

E a foliculite tem cura? Existem vários tratamentos eficazes para cada tipo de foliculite. Na maioria das vezes, a doença evolui de forma favorável e sem sequelas.

Tratamento para foliculite

Nos casos mais leves, a foliculite desaparece com a adoção de medidas para controlar a infecção e melhorar o desconforto. Dentre elas estão: manter a pele limpa e seca, usar produtos de limpeza da pele suaves, evitar roupas apertadas e substâncias que irritem a pele, evitar cortes durante o ato de barbear, fazendo uso de gel ou espuma para lubrificar as lâminas. A depilação a laser poderá ajudar a evitar a foliculite.

Quando houver lesões na pele, é importante não coçar para não agravar o quadro clínico. Limpar a área afetada com sabonete antisséptico e enxugar com uma toalha descartável, preferencialmente. Aplicar pomadas ou cremes de uso tópico com propriedades anti-inflamatórias sobre a lesão.

No caso de um processo infeccioso já instalado, grave ou recorrente, pode ser necessário o uso de antibióticos por via oral, se a infecção for causada por bactérias, ou medicamentos específicos para combater a infecção por fungos.

A indicação de corticoides por via oral para reduzir a inflamação deve ser feita por períodos curtos em virtude dos efeitos colaterais indesejáveis que esses medicamentos podem provocar.

Abscessos maiores podem exigir uma intervenção cirúrgica para drenar o pus. Esse procedimento ajuda a aliviar a dor e facilita o processo de recuperação. Terapia fotodinâmica e depilação a laser, técnicas que destroem completamente o folículo piloso, podem ser recomendadas se os outros tratamentos não forem suficientes

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