Sunday, January 22, 2023
NotíciaTricotilomania: o que é e como se cura?

Tricotilomania: o que é e como se cura?

A tricotilomania (TTM) é um transtorno que desperta na pessoa uma vontade incontrolável e frequente de arrancar os cabelos e os pelos do corpo, sendo mais comuns os cílios, sobrancelhas e barba, mas a virilha, braços e pernas também podem ser áreas escolhidas para a ação.

É considerada uma doença mental associada ao transtorno do controle do impulso, uma vez que o paciente, ao sentir essa vontade impulsiva de puxar os fios, quando o faz tem uma sensação de alívio e recompensa no momento. A maior parte das pessoas afetadas com a tricotilomania é do sexo feminino e a mania acontece normalmente após a puberdade.

A pessoa que sofre de tricotilomania usa os próprios dedos ou instrumentos como pinça para arrancar o pelo. Para prolongar a sensação de recompensa, alguns pacientes podem ainda brincar com os fios removidos e até engoli-los, ato que caracteriza outra doença chamada tricofagia.Continue com a leitura desse texto e entenda melhor sobre a tricotilomania, os sintomas e tratamentos para o problema.

Causas da tricotilomania

Não há uma causa específica para esse transtorno psiquiátrico, sendo de entendimento entre os profissionais da saúde mental que a tricotilomania pode ser desencadeada por diferentes fatores, que vão desde a genética e hereditariedade até outras questões neurobiológicos ou comportamentais.

Entretanto, deve-se ressaltar que a tricotilomania pode estar vinculada a outras condições psíquicas, como depressão, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de controle do impulso e transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Em certos casos, o paciente tem consciência do ato de arrancar os pelos, enquanto que em outros ele puxa os fios de forma distraída enquanto realiza outra atividade.

A tricotilomania pode estar relacionada às emoções, podendo ser positivas ou negativas. Nas emoções positivas, as pessoas com a doença acham que arrancar o cabelo ou pelo é satisfatório e proporciona um alívio, o que faz com que continuem a puxar os fios para manter o sentimento.

Já nas emoções negativas, o paciente com tricotilomania puxa os cabelos como uma forma de lidar com sentimentos ruins ou desconfortáveis, por exemplo ansiedade, estresse, tensão, solidão, tédio, fadiga ou frustração.

Para algumas pessoas, se não forem tratadas, os sintomas podem ir e vir por semanas, meses ou anos de cada vez. Em casos raros, puxar o cabelo termina alguns anos após o início.

Sintomas da tricotilomania

Em geral, o paciente com tricotilomania já tentou de alguma maneira parar ou controlar a mania de arrancar o cabelo, mas não conseguiu e cedeu à pressão do comportamento impulsivo. Entre os sintomas da doença, estão:

  • Vontade repentina, fora do controle e com frequência de arrancar fios de cabelo ou pelos de uma determinada região;
  • Sensação crescente de tensão antes de puxar o cabelo ou na tentativa de resistir ao impulso;
  • Sentimento de prazer, alívio ou recompensa imediata após a realização da remoção do pelo;
  • Falhas visíveis em áreas do couro cabeludo e de outras partes do corpo como cílios ou sobrancelhas, que variam de formato e tamanho;
  • Preferência por tipos específicos de cabelo e rituais que acompanham o puxão de cabelo;
  • Prazer em brincar com o cabelo arrancado, esfregando-o nos lábios ou no rosto;
  • Relação com outros hábitos de automutilação, como roer as unhas, mastigar os lábios, cutucar as cutículas ou outras partes do corpo;
  • Morder, mastigar ou comer o cabelo arrancado;
  • Vergonha e constrangimento pela doença e com isso falta de busca por ajuda médica;
  • Adesão à certas alternativas para tentar esconder as falhas de cabelo, como o uso de chapéus e bonés;
  • Angústia ou problemas graves no trabalho, escola e outras relações sociais para esconder o transtorno.

Além desses sintomas acima, se o paciente possuir a tricofagia combinada com a tricotilomania, ou seja, arrancar os fios ou pelos e comê-los após a remoção, outros sinais se apresentam, tais como:

  • Dores abdominais;
  • Náuseas e vômitos;
  • Perda de apetite;
  • Obstrução intestinal.

A tricotilomania é considerada um distúrbio crônico, de longo prazo. Se não for tratada, os sintomas podem se intensificar no decorrer do tempo. As alterações hormonais da menstruação, por exemplo, podem piorar os sintomas nas mulheres.

Existe cura para a tricotilomania?

O tratamento da tricotilomania (TTM) deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar envolvendo um dermatologista, um psiquiatra e um psicólogo, pois esses especialistas juntos ao avaliar o quadro do paciente vão encontrar a melhor condução para o tratamento da doença.

Apesar de não ter uma causa direta identificada, a tricotilomania está associada a fatores psíquicos, razão pela qual o uso de medicamentos psiquiátricos faz parte do tratamento, além da terapia e análise e terapia para possibilitar ao paciente identificar os gatilhos que fazem com que o transtorno se manifeste.

É um problema sério que vai muito além da estética. Se junto com a tricotilomania a pessoa for afetada pela tricofagia, também conhecida por síndrome de Rapunzel, pode ser necessária uma cirurgia para retirada da bola de cabelo no estômago ou intestino, formada pelos fios ingeridos pelo paciente.

O acompanhamento do dermatologista ou médico especializado em tricologia é importante para a condução do tratamento para recuperação do couro cabeludo para que os fios arrancados voltem a nascer saudáveis.

Apesar da agressão sofrida, é possível tratar do couro cabeludo e recuperar os cabelos novamente, desde que o bulbo capilar não tenha sido danificado com a força do arranque. O profissional irá avaliar a situação para indicar o melhor tratamento, que geralmente são procedimentos não-invasivos de eletroestimulação do bulbo do cabelo e desobstrução do óstio, orifício formado. Métodos como microagulhamento ou mesoterapia não são indicados para a tricotilomania, pois podem causar infecções.

 

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